
Falar sobre violência contra a mulher continuou sendo urgente. E foi justamente a partir dessa urgência que realizamos o Por Elas: um diálogo sobre violência e acolhimento, encontro presencial promovido em Campinas para abrir espaço a uma conversa responsável, necessária e plural sobre prevenção, acolhimento e responsabilidade coletiva.
O evento reuniu diferentes vozes em torno de uma pauta que atravessa a sociedade, impacta relações, afeta trajetórias e, também, alcança o ambiente corporativo. Mais do que um painel, o Por Elas se consolidou como um espaço de escuta, troca e reflexão sobre como ampliar repertório, fortalecer redes de apoio e incentivar mudanças reais. A proposta do encontro esteve alinhada à visão apresentada pela Incentive para o Movimento Incentive: usar o incentivo como ferramenta de transformação social.
Por que essa conversa precisou acontecer
A violência contra a mulher não ficou restrita ao espaço privado. Ela atravessou famílias, relações, comunidades e ambientes de trabalho. Por isso, tratar desse tema em um evento como o Por Elas fez sentido não apenas do ponto de vista social, mas também cultural e institucional.
Quando empresas, lideranças, profissionais de RH, especialistas e participantes se dispuseram a discutir acolhimento e prevenção, o debate deixou de ser periférico. Ele ocupou o espaço que deveria ocupar: o de uma pauta que exige posicionamento, escuta e responsabilidade.
Ao promover o Por Elas, reforçamos uma convicção importante: falar sobre violência contra a mulher também significa falar sobre proteção, autonomia, acesso à informação e construção de ambientes mais seguros e preparados para acolher.
Movimento Incentive: o poder do incentivo também como transformação social
O Por Elas fez parte do Movimento Incentive, iniciativa criada para apoiar, incentivar e dar visibilidade a projetos e causas que impactam positivamente a sociedade. O Movimento nasceu da convicção de que o incentivo pode ir além do reconhecimento corporativo e se transformar em ação social real, com impacto contínuo, visibilidade para causas importantes e apoio a iniciativas que promovem transformação.
Essa visão ampliou o significado do próprio incentivo. Dentro das empresas, ele já é reconhecido por fortalecer engajamento, cultura e resultados. Fora delas, passou a ser direcionado também a causas sociais, projetos e conversas que geram conscientização e impacto concreto. A proposta do Movimento foi justamente essa: usar o poder do incentivo para abrir caminhos, impulsionar discussões necessárias e fortalecer redes de apoio.
O primeiro passo do Movimento: Por Elas e com Elas
Antes do evento externo, o Movimento Incentive já havia dado seu primeiro passo com a ação Por Elas e com Elas: incentivar também é proteger, a primeira causa do movimento. A iniciativa começou internamente, com uma pauta voltada ao fortalecimento de mulheres e à importância de tratar violência, denúncia e rede de apoio com seriedade. A ação incluiu conversa de conscientização com colaboradoras, reforço sobre canais oficiais como o Ligue 180 e uma aula prática de defesa pessoal com foco em percepção de risco, autoconfiança e postura preventiva.
Essa primeira ação deixou uma mensagem clara: acolhimento não deveria ser improvisado. Ele precisaria ser estruturado com atenção, sensibilidade e responsabilidade. Também reforçou que empresas têm papel em dois níveis: prevenir e apoiar. Prevenir, com políticas, posicionamento e orientação. Apoiar, com escuta qualificada, confidencialidade e rede de suporte.
Já o Por Elas: um diálogo sobre violência e acolhimento ampliou essa conversa. Se o primeiro movimento começou de dentro, com conscientização interna, o evento expandiu o debate para um espaço presencial de troca, informação e mobilização.
Um encontro construído para escuta e troca
O Por Elas foi realizado com um propósito muito claro: criar um espaço em que a violência contra a mulher pudesse ser discutida com responsabilidade, profundidade e abertura. Mais do que promover um evento, a proposta foi estimular uma conversa necessária sobre acolhimento, prevenção e o papel coletivo que todos (pessoas, lideranças, empresas e sociedade) têm diante dessa realidade.
A intenção do encontro foi ampliar a escuta e fortalecer a conscientização a partir de diferentes perspectivas, reunindo profissionais de áreas que lidam, cada uma à sua maneira, com os impactos e os caminhos de enfrentamento da violência contra a mulher. Ao colocar esse tema em evidência em um ambiente de diálogo, o evento ajudou a transformar informação em reflexão e reflexão em possibilidade de ação.
O formato presencial contribuiu diretamente para isso. Ao reunir participantes em um mesmo espaço, o Por Elas favoreceu uma troca mais próxima, mais humana e mais sensível, algo essencial para uma pauta que exige atenção, empatia e responsabilidade. Reunir vozes do RH, da psicologia, da advocacia, do acolhimento e da independência financeira fortaleceu o debate e mostrou, na prática, como a violência contra a mulher precisa ser compreendida de forma ampla, com diferentes leituras e responsabilidades compartilhadas.
Além do conteúdo principal, o encontro também contou com coffee break, brindes, sorteios e momentos de networking, o que ajudou a tornar a experiência ainda mais acolhedora e propícia para conexões entre os participantes.
Dois painéis: Diferentes perspectivas e um mesmo compromisso
Um dos pontos mais ricos do encontro foi justamente a pluralidade de olhares. O evento foi dividido em dois painéis, o que ajudou a aprofundar o debate e organizar melhor os diferentes recortes da conversa.
O primeiro painel reuniu Thaís Cremasco, advogada e cofundadora do projeto Mulheres Pela Justiça; Alethea Assunção, do Instituto Mica, que atua diretamente no acolhimento de mulheres vítimas de violência doméstica; e Andrea Greco, especialista e palestrante de RH.
O segundo painel contou com Diana F. Paulo, trazendo a discussão sobre empreendedorismo feminino e independência financeira; Indiara Souza, psicóloga e especialista em neuropsicologia; e Maíra Recchia, advogada e presidente da Comissão da Mulher Advogada de SP.
Essa composição fortaleceu o encontro porque mostrou que a violência contra a mulher não pode ser lida por uma única lente. O debate ganhou profundidade ao reunir perspectivas do campo jurídico, psicológico, social, econômico e corporativo.
A presença de profissionais de RH ampliou a discussão sobre o papel das empresas na prevenção e no acolhimento. A de uma psicóloga trouxe elementos fundamentais sobre escuta, impacto emocional e suporte. Já o olhar jurídico ajudou a reforçar direitos, caminhos e responsabilidade institucional. Quanto a parte sobre independência financeira, trouxe um ponto central: autonomia também faz parte da construção de proteção e possibilidade de saída de situações de violência.
Um encontro aberto a quem reconhece a importância dessa pauta
O Por Elas não foi um evento exclusivo para mulheres. Embora a pauta tenha partido da necessidade de ampliar a conversa sobre violência contra a mulher, o encontro se abriu a todas as pessoas que reconhecem a importância do tema e acreditam no valor da conscientização, da escuta e da responsabilidade coletiva.
A presença de homens no evento reforçou algo importante: essa não é uma discussão que deve ser sustentada apenas por mulheres. A transformação cultural também depende do envolvimento de quem deseja compreender melhor o tema, refletir sobre seu papel e contribuir para a construção de ambientes mais seguros e respeitosos.
Ao mesmo tempo, o encontro dialogou fortemente com profissionais de RH, lideranças, empresários e pessoas interessadas em entender como o acolhimento e a prevenção podem ganhar forma prática dentro das organizações.
O papel das empresas no acolhimento e na prevenção
Ao longo do encontro, ficou ainda mais evidente que empresas têm papel importante nesse cenário. Elas podem ser espaços de informação, de preparação, de escuta e de apoio. Podem fortalecer cultura, orientar lideranças, estruturar políticas e criar ambientes em que mulheres se sintam respeitadas e amparadas.
Esse entendimento se conecta diretamente à base do Movimento Incentive e, também, à primeira ação “Por Elas e com Elas”, que já havia reforçado que impacto consistente começa na cultura e que acolhimento exige estrutura, clareza e sensibilidade.
Trazer esse debate para um evento presencial ajudou a ampliar repertório e mostrar, na prática, que o enfrentamento à violência contra a mulher também passa por empresas mais conscientes, mais preparadas e mais comprometidas com o tema.
Vozes que seguiram ecoando após o encontro
O Por Elas deixou reflexões que continuaram reverberando mesmo após o encerramento do evento. Essa é, talvez, uma de suas maiores forças: não se limitar ao momento da conversa, mas abrir espaço para que novos diálogos aconteçam dentro e fora das empresas, entre lideranças, equipes, famílias, redes de apoio e participantes.
As falas compartilhadas ao longo do encontro reforçaram essa percepção e ajudaram a dar ainda mais profundidade ao debate, trazendo diferentes olhares sobre a urgência do tema, a importância da conscientização e os caminhos possíveis para transformar essa realidade.
Para Indiara Souza, um dos pontos mais significativos do encontro foi a presença de muitos homens na plateia. Segundo ela, esse movimento representa uma virada importante, porque amplia o alcance da informação e ajuda a levar esse conhecimento para outros homens, fortalecendo uma rede maior de conscientização. Indiara também destacou que esse debate continua sendo urgente porque a violência contra a mulher ainda é uma realidade muito presente.
Na visão de Diana Paulo, trazer esse assunto à tona é uma forma de romper ciclos e ampliar a percepção sobre tudo o que ainda precisa mudar. Ela ressaltou a importância do empoderamento e da consciência sobre o contexto em que vivemos, reforçando que, mesmo que a ideia de construir um mundo melhor pareça distante, é preciso agir agora para que mudanças reais possam acontecer no futuro.
Já Thaís Cremasco chamou atenção para a gravidade do cenário brasileiro. Para ela, falar sobre violência contra a mulher é indispensável porque vivemos em um país extremamente violento para mulheres, com índices alarmantes de feminicídio, desigualdade salarial e múltiplas formas de violência que ainda marcam a vida de tantas brasileiras. Nesse contexto, promover conscientização e mostrar que existem caminhos e saídas possíveis é fundamental para construir uma realidade mais justa e mais possível para as mulheres.
Em comum, as falas reforçaram uma mesma convicção: abrir espaço para esse debate é parte essencial da transformação que queremos ver. Quando diferentes vozes se reúnem para tratar do tema com seriedade, escuta e responsabilidade, a conversa deixa de ser apenas reflexão e passa a ser também um passo concreto na direção da mudança.
O encontro reafirmou uma convicção importante
O Por Elas reafirmou uma ideia que esteve no centro de toda essa construção: algumas conversas não podem mais ser adiadas. Falar sobre violência contra a mulher exigiu coragem, responsabilidade e disposição para ouvir.
Ao reunir especialistas, participantes, lideranças e diferentes áreas de atuação em torno dessa pauta, o evento reforçou que impacto real também se constrói quando existe espaço para escuta, informação e ação.
Porque incentivar, nesse contexto, também significou proteger. E proteger começou, muitas vezes, pela decisão de abrir espaço para uma conversa necessária.

