
Cuidar da saúde mental nas empresas nunca foi tão urgente — e agora virou norma. Com a atualização da NR-1 (Norma Regulamentadora nº 1), publicada pelo Ministério do Trabalho e Emprego em 2024 e com vigência prevista para maio de 2025, os riscos psicossociais passam a integrar oficialmente o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) das organizações.
Estresse, assédio moral, sobrecarga e burnout não são mais vistos como problemas individuais. A partir de agora, eles devem ser identificados, analisados e gerenciados como riscos ocupacionais — ao lado de agentes químicos, físicos e biológicos.
Isso coloca o RH em uma posição central. Afinal, é a área responsável por ouvir os times, conduzir treinamentos, implementar políticas internas e garantir que a cultura da empresa esteja alinhada à prevenção.
Mas por onde começar? A seguir, listamos 5 ações práticas que o RH pode adotar já, com base nas exigências da nova NR-1.

1. Revisar o PGR com foco em saúde mental
O Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) precisa refletir a realidade do ambiente de trabalho — incluindo agora os fatores psicossociais. Isso significa que, junto ao inventário de riscos físicos, químicos e ergonômicos, o RH deve mapear aspectos como:
- Excesso de demandas ou metas inatingíveis;
- Falta de reconhecimento ou apoio emocional;
- Clima de medo, competitividade tóxica ou assédio;
- Jornadas exaustivas ou desequilíbrio entre vida pessoal e trabalho.
Esses fatores devem ser identificados com a ajuda de entrevistas, formulários anônimos, escutas ativas e, quando possível, com apoio de profissionais da psicologia do trabalho.
A análise deve resultar em um plano de ação claro, com prazos e responsáveis — e precisa estar documentada no PGR, conforme exigido pela NR-1.
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2. Implementar treinamentos sobre saúde emocional e prevenção
A nova NR-1 reforça que o treinamento de colaboradores é essencial — e agora, mais do que nunca, isso inclui temas de saúde emocional. Para estar em conformidade com a norma, o RH pode desenvolver:
- Capacitações sobre estresse no ambiente de trabalho;
- Dinâmicas para prevenir assédio e promover empatia;
- Formações para líderes em escuta ativa e gestão humanizada;
- Cursos EAD ou híbridos com foco em saúde mental, conforme o Anexo II da NR-1.
Esses treinamentos devem ser registrados com certificado, data, conteúdo e nome do responsável técnico.
É recomendável também documentar listas de presença, avaliações de aprendizagem e evidências práticas, como fóruns internos ou simulações de situações reais.
Vale lembrar: o tempo de treinamento conta como jornada de trabalho e deve ser respeitado como tal.
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3. Garantir o direito de recusa sem punições
Uma das atualizações mais relevantes da NR-1 é o reforço ao direito de recusa: o trabalhador pode interromper uma atividade quando identificar risco grave e iminente à sua saúde — incluindo riscos emocionais ou psicológicos.
O papel do RH aqui é fundamental: garantir que esse direito seja respeitado e que nenhum colaborador sofra retaliação por usá-lo. Isso exige:
- Políticas claras e divulgadas sobre o direito de recusa;
- Um canal seguro e anônimo para denúncias ou relatos;
- Apoio imediato e acolhedor para quem sinaliza um risco;
- Comunicação interna constante reforçando essa proteção.
A norma determina que os empregadores não podem exigir o retorno às atividades até que as condições de risco sejam eliminadas ou controladas. E o RH deve ser o primeiro a garantir que isso seja cumprido.
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4. Criar um canal de acolhimento psicológico
Com a saúde mental ganhando status legal dentro das normas de SST, o RH pode (e deve) estruturar canais de acolhimento que vão além da ouvidoria. Entre as ações possíveis:
- Implantar programas de apoio psicológico com profissionais credenciados;
- Estabelecer horários de atendimento para escuta ativa;
- Criar comitês internos de saúde mental e bem-estar;
- Incluir rodas de conversa e grupos de apoio em datas estratégicas (como o Janeiro Branco ou Setembro Amarelo)
Essas medidas não substituem uma política de segurança formal, mas ajudam a fortalecer a percepção de cuidado e empatia dentro da cultura organizacional.
E mais: podem gerar evidências práticas para obtenção do Selo Empresa Promotora da Saúde Mental, previsto pela Lei 14.831/2024, que complementa a NR-1.
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5. Promover a cultura da prevenção como valor da empresa
A NR-1 atualizada exige mais do que medidas pontuais — ela pede uma mudança de mentalidade. E essa transformação começa pela forma como a empresa valoriza seus times. O RH pode liderar essa transição de forma estratégica ao:
- Integrar saúde mental aos rituais de onboarding e offboarding;
- Incluir o tema nos ciclos de avaliação de desempenho;
- Formar lideranças com foco em prevenção e cuidado;
- Divulgar relatórios internos de clima organizacional e bem-estar;
- Reforçar a linguagem do cuidado nas comunicações oficiais da empresa.
Quando a saúde mental passa a fazer parte da estratégia, o impacto vai além da conformidade com a lei — ele se reflete na retenção de talentos, no engajamento dos times e na reputação da marca empregadora.
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RH como agente de mudança
A nova NR-1 colocou a saúde mental no centro da discussão sobre segurança no trabalho. E, nesse novo cenário, o RH não é apenas um setor de apoio — é o agente de transformação que pode humanizar políticas, ouvir os times e conduzir a empresa rumo a uma cultura mais responsável e sustentável.
Não se trata de mais uma norma para cumprir. É uma oportunidade de fazer diferente.
Comece hoje mesmo com um plano simples: ouça sua equipe, atualize seus documentos e abra espaço para o cuidado virar rotina.
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