
O adicional de assiduidade é uma daquelas gratificações que nem todo mundo conhece a fundo, mas que pode fazer uma diferença real na cultura da empresa. O nome pode até parecer burocrático, mas na prática estamos falando de reconhecimento — mais precisamente, de premiar quem não falta, quem cumpre a jornada com constância e mantém o comprometimento ao longo do tempo.
Com o aumento das discussões sobre engajamento, turnover e valorização no ambiente de trabalho, entender como essa bonificação funciona (e quando aplicar com inteligência) é um caminho importante para o RH estratégico. Afinal, se a falta constante compromete o desempenho coletivo, a presença frequente deveria ser reconhecida — certo?
Neste conteúdo, vamos te mostrar quando o adicional de assiduidade pode ser um bom aliado, o que a legislação diz sobre o tema, exemplos de aplicação e como essa prática pode se integrar com outras estratégias de reconhecimento.
O que é o adicional de assiduidade?
O adicional de assiduidade é uma recompensa financeira concedida aos colaboradores que mantêm uma frequência exemplar no trabalho. Ele costuma ser oferecido como um “prêmio” a quem não falta ou não atrasa durante determinado período — geralmente, um mês ou um trimestre. Diferente de bônus por metas ou desempenho, esse adicional valoriza a presença regular como um sinal de comprometimento com a empresa. É um reforço positivo: “você está aqui todos os dias, e isso importa”.
Como funciona na prática
Na prática, o empregador estabelece um critério claro: por exemplo, se o funcionário não tiver faltas injustificadas durante o mês, recebe um valor fixo no holerite. Algumas empresas descontam o benefício proporcionalmente em caso de atrasos ou ausências parciais. É importante deixar tudo registrado de forma transparente: quais ausências são toleradas, como será feito o pagamento, e por qual período será calculada a assiduidade.
É obrigatório ou facultativo?
O adicional de assiduidade não é obrigatório por lei. Ele é uma prática facultativa, adotada por empresas que desejam incentivar a pontualidade e a frequência de maneira formal. No entanto, uma vez instituído de forma habitual e contínua, ele pode passar a ser considerado como parte do salário para efeitos legais — e isso requer atenção redobrada na gestão desse benefício.
O que diz a legislação sobre o tema?
A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) não trata diretamente do adicional de assiduidade como um direito obrigatório. A lei permite que as empresas adotem esse tipo de gratificação, mas não impõe critérios fixos. Por isso, o mais comum é que a prática esteja regulada por meio de políticas internas ou acordos coletivos.
Convenções coletivas e acordos sindicais
Em muitos setores, o adicional de assiduidade é previsto em convenções coletivas, com regras claras sobre valores, periodicidade e forma de concessão. Em alguns casos, ele aparece com outros nomes — como prêmio de assiduidade ou bônus de frequência. O ideal é que o RH esteja sempre atualizado quanto às determinações sindicais da sua categoria para não correr o risco de descumprir acordos vigentes.
Frequência e critérios são importantes
Mesmo sendo opcional, o adicional pode ser judicialmente interpretado como uma parte integrante do salário se for pago de maneira contínua e sem critérios objetivos. Nesse caso, pode gerar reflexos em férias, 13º salário e FGTS. Por isso, empresas que adotam o benefício devem evitar o pagamento automático e sempre condicioná-lo ao cumprimento claro de critérios previamente estabelecidos.
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Quando faz sentido aplicar o adicional de assiduidade?
Esse benefício não é para todo tipo de empresa ou momento. Mas em determinados contextos, ele pode ser uma boa alternativa para lidar com a falta de engajamento ou frequência.
Empresas com alta taxa de absenteísmo
Se sua empresa tem enfrentado um número elevado de faltas sem justificativa, o adicional pode funcionar como um freio. Ele gera um incentivo direto ao comparecimento regular e pode ajudar a reduzir o absenteísmo crônico. Claro que isso não substitui um trabalho mais profundo sobre clima organizacional e motivação. Mas pode ser o empurrão inicial para transformar o cenário.
Ambientes que buscam mais engajamento
O simples fato de reconhecer quem está presente com frequência já gera um sentimento de valorização. Em equipes que lidam com jornadas repetitivas ou ambientes exigentes, essa bonificação pode aumentar o senso de pertencimento e reforçar o comprometimento.
Organizações com cultura de reconhecimento
Se sua empresa valoriza políticas de reconhecimento tangível, o adicional de assiduidade pode ser mais uma peça dentro da estratégia. Ele é simples, direto e facilmente compreendido pelos colaboradores. Só é preciso cuidado para que ele não substitua outras formas de valorização mais amplas, como plano de carreira ou feedbacks estruturados.
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Como calcular o valor do adicional?
Não existe um valor padrão para o adicional de assiduidade. Algumas empresas fixam um valor simbólico, como R$ 100 por mês. Outras aplicam um percentual do salário base — geralmente entre 5% e 10%. O mais importante é garantir proporcionalidade e equilíbrio. O valor precisa ser suficiente para motivar, mas também deve caber no orçamento da folha.
Modelos de cálculo fixo e variável
Veja alguns exemplos de cálculo:
- Valor fixo mensal: R$ 150 para quem não tiver nenhuma falta no mês;
- Valor proporcional: R$ 200 se não houver nenhuma falta; R$ 100 se houver apenas uma ausência justificada;
- Percentual do salário base: 8% do salário para quem mantiver 100% de presença no trimestre.
Impacto financeiro e controle de custo
Antes de implementar, vale fazer simulações na folha e avaliar o impacto financeiro. Uma empresa com 100 colaboradores que oferece um adicional de R$ 150 mensais pode gerar um custo de R$ 15 mil por mês, caso todos cumpram os critérios. Com um bom sistema de controle de ponto e folha, é possível administrar isso com segurança — inclusive usando softwares ou cartões de incentivo pré-pagos.
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Diferença entre adicional de assiduidade e outros benefícios
Por mais que se pareçam, nem todo bônus é adicional de assiduidade. E nem todo reconhecimento tem o mesmo efeito prático ou jurídico.
Assiduidade vs. bônus por desempenho
Enquanto o adicional de assiduidade valoriza a frequência, o bônus por desempenho reconhece os resultados entregues. São formas diferentes de premiar comportamentos desejados — e não devem ser confundidas. Muitas empresas usam os dois de forma complementar, com pesos diferentes.
Assiduidade vs. vale-prêmio ou vale-comportamento
Alguns programas de incentivo oferecem vales ou recompensas para quem cumpre metas de comportamento (como pontualidade, colaboração, etc). A diferença é que esses prêmios não são pagos em dinheiro diretamente, mas sim em produtos ou experiências. O adicional de assiduidade, por outro lado, entra como valor financeiro direto na remuneração.
Pontos de atenção antes de aplicar
Antes de incluir o adicional de assiduidade na política interna, é essencial considerar os possíveis efeitos colaterais. Benefícios mal planejados podem se transformar em obrigações inesperadas.
Riscos trabalhistas e confusão com salário habitual
Se o adicional for pago todos os meses, sem critério ou pausa, pode virar parte do salário. Isso gera encargos adicionais e passivos trabalhistas. Por isso, sempre vincule a concessão à meta de assiduidade e documente as regras de forma clara.
Percepção de injustiça entre os colaboradores
Quem se esforça, mas precisa faltar por motivos justificados (como saúde ou filhos), pode se sentir injustiçado. O RH precisa construir um discurso equilibrado para que o benefício não crie um ambiente competitivo ou punitivo.
Dependência do benefício como motivador principal
O ideal é que o colaborador veja valor no trabalho em si, no ambiente, nas oportunidades. Quando o incentivo financeiro vira o único motivo para comparecer, há um risco de desmotivação caso ele seja retirado ou reduzido.
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Alternativas ao adicional de assiduidade
Nem sempre a bonificação financeira é o melhor caminho. Dependendo do perfil da equipe, outras formas de reconhecimento podem ter impacto mais duradouro.
Premiações por metas e feedback contínuo
Muitas empresas têm migrado para modelos de reconhecimento por entrega de valor. Metas claras, indicadores bem definidos e ciclos de feedback tornam o reconhecimento mais justo e estratégico.
Uso de cartões de incentivo e premiações flexíveis
O uso de cartões de premiação, como os pré-pagos corporativos, oferece liberdade e controle. É possível carregar valores variáveis, com validade definida e sem riscos trabalhistas. Esse modelo evita o impacto direto na folha de pagamento e pode ser usado para valorizar a assiduidade de forma mais flexível.
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O adicional de assiduidade pode ser um aliado valioso na gestão de pessoas — desde que bem planejado, comunicado com clareza e avaliado com regularidade. Ele não substitui outras práticas de engajamento, mas pode compor um bom mix de reconhecimento.
A chave está no equilíbrio. Usar esse benefício como reforço positivo, e não como muleta. E sempre lembrar: motivar pessoas é mais sobre propósito e pertencimento do que sobre recompensas pontuais.
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